Ep. 33 — EP.33 - Tossir no treino é normal? - Bruna Mahn e Dra Renata Nakata - Stemma Performance
Podcast que une a teoria à prática do universo do endurance. Conteúdos técnicos com embasamento científico de forma descomplicada e direta. Uma parceria com o @stemmasports Episódio 33- Tossir no treino é normal ? • Bruna Mahn - triatleta profissional durante 10 anos e educadora física formada na UNESP @bruna_mahn - Renata Teixeira Formação: Graduação em Educação Física pela Faculdade de Educação Física de Santo André, Especialização em Fisiologia do Exercício pela UNIFESP Mestrado na área de Biodinâmica do Movimento Humano pela EEFEUSP Doutorado em Fisiopatologia Experimental pela FMUSP Pós Doutorado na FMUSP Estágio no departamento de medicina respiratória (Escola de Medicina de Universidade de Sydney, NSW / Austrália)
Resumo
Bruna Mahn recebe a Dra. Renata Nakata para discutir um tema comum e frequentemente subestimado no esporte: desconforto respiratório durante o treino, especialmente tosse e chiado. Renata conta sua trajetória desde a Educação Física até o mestrado, quando foi direcionada a estudar asma, e como isso virou um caminho de pesquisa focado em atletas. A virada veio ao perceber que quase não havia evidência com atletas brasileiros, o que levou ao primeiro mapeamento em corredores de elite da São Silvestre. O episódio parte de uma pergunta simples — “tossir no treino é normal?” — e termina mostrando que, muitas vezes, não é normal e pode ter diagnóstico e tratamento. O achado que norteia a conversa é a alta prevalência de broncoespasmo induzido pelo exercício (BIE) em atletas de endurance, inclus
Destaques
- Broncoespasmo induzido pelo exercício (BIE) pode ocorrer em atletas sem asma e com função pulmonar basal normal, principalmente em esportes de endurance.
- Em corredores de elite (ex.: São Silvestre), a prevalência encontrada foi alta: cerca de 25% com broncoespasmo induzido pelo exercício, não necessariamente asma.
- O principal gatilho é manter ventilação alta por tempo contínuo (tipicamente 6 a 8 minutos ou mais), o que favorece ressecamento das vias aéreas e resposta inflamatória; treinos leves raramente desencadeiam.
- Tosse, chiado, aperto no peito e falta de ar “com barulho” não devem ser normalizados; a tosse é um sintoma clássico e o subdiagnóstico é comum porque atletas atribuem tudo a descondicionamento.
- O diagnóstico envolve espirometria antes e depois do esforço, com monitoramento até 20 minutos pós-exercício; queda de 10% ou mais sugere broncoespasmo.
- Tratamento (inclusive medicamentoso, quando indicado) pode melhorar performance e bem-estar; resultado positivo não é sentença, e em alguns casos há medidas não farmacológicas.
- Automedicação e uso indiscriminado de salbutamol (“bombinha”) não melhora performance em quem não tem obstrução e pode gerar efeitos colaterais; além disso, há implicações de doping que exigem documentação e regras.
Tópicos: Broncoespasmo induzido pelo exercício vs. asma em atletas, Diagnóstico com espirometria e teste de provocação pelo exercício, Fatores de risco: alta ventilação, ar frio/seco, rinite e histórico alérgico, Impacto em performance, tratamento, automedicação e implicações de doping, Sintomas no endurance e discussão específica sobre natação/água aberta
Citações
- “a tosse é um sintoma clar clássico de broncoespasmo não é normal quem não tem um histórico não deveria não deve não tem que tcir” — Dra Renata Nakata
- “Nunca confie num atleta” — Dra Renata Nakata
- “eu saí para correr quando eu sei que tem tiro eu já levo no bolso a bombinha e só fico esperando a hora que dá” — Dra Renata Nakata
- “o atleta fica o tempo todo usando a respiração muito mais que uma pessoa normal né Sempre no limite ali” — Bruna Mahn