Ep. 794 — #27 | Corrida, lesões e corpo feminino, com Dra. Ana Paula Simões | Girls Who Run by Stemma
A gente demora pra encontrar um esporte que realmente faz sentido, que vira parte da nossa rotina, da nossa identidade, do nosso jeito de existir no mundo. E quando finalmente encontra, vem o corpo e coloca alguns limites. Passar por uma lesão é um baque. É ser impedida de fazer algo que te faz bem, e isso dói. Às vezes a gente até insiste, força, é teimosa... e acaba piorando. Mas também é nesse processo que a gente aprende a respeitar o próprio corpo, a ouvir os sinais e a entender que pausa também é parte da corrida. No episódio de hoje, a gente vai falar sobre tudo isso: como prevenir lesões, como lidar quando acontece e como seguir em frente com mais consciência, cuidado e amor pelo esporte.
Resumo
O episódio abre com Mariana Real e Marcela Fand contextualizando o lado emocional das lesões na corrida, especialmente quando a corrida já virou identidade e refúgio. Elas descrevem o choque de ser “impedida” de fazer o que faz bem, e como esse processo também pode ensinar a respeitar limites e sinais do corpo. A conversa então apresenta a convidada, Dra. Ana Paula Simões, ortopedista e médica do esporte, além de corredora, trazendo um olhar técnico, mas profundamente empático sobre o tema. O tom do episódio equilibra acolhimento com orientação prática, reforçando que pausar pode fazer parte do caminho esportivo. Ana Paula compartilha sua trajetória: entrou na natação por indicação médica (rinite alérgica), competiu desde cedo e consolidou disciplina e rotina esportiva como base de vida.
Destaques
- Mulheres têm maior tendência estatística a dores e lesões no joelho (condropatia/síndrome patelofemoral) devido ao quadril mais largo e ao ângulo que favorece o geno valgo, o que aumenta a necessidade de fortalecimento e estabilidade pélvica.
- REDs (baixa disponibilidade energética) aparece como fator central em corredoras: restrição alimentar para emagrecer pode levar a edema ósseo e fratura por estresse, tornando nutrição parte direta da prevenção de lesões.
- Dor “aceitável” é diferente de dor de alerta: o sinal crítico é quando a dor altera a mecânica (mancar, compensar) ou não melhora ao reduzir ritmo; insistir pode transformar um incômodo reversível em lesão que afasta por mais tempo.
- A maior barreira na recuperação é a pressa do atleta: endorfina e motivação fazem a dor sumir antes da cicatrização, então retorno deve ser guiado por critérios objetivos (exames/controle e função), não só por sensação.
- Check-up e avaliação pré-participação (ECG, eco, teste de esforço/ergo) ajudam a detectar riscos graves em provas, enquanto hipertermia e hiponatremia entram como eventos críticos ligados a preparação e manejo no dia da corrida.
- Lesões muitas vezes são multifatoriais: intensidade tende a machucar mais que volume, especialmente em corpo fadigado por estresse, pouco sono, alimentação inadequada ou terreno/tênis inadequados; ajustar intensidade e usar treino cruzado preserva o condicionamento.
- Fortalecimento precisa ser específico para corrida: funcionalidade, trabalho excêntrico e ativação do pé/dedos (musculatura intrínseca e flexores) são negligenciados e podem reduzir problemas como tendinopatia de Aquiles e dores por sobrecarga.
Tópicos: Lesões comuns em corrida (joelho, canelite, fascite, tendinopatias) e sinais de alerta, Diferenças biomecânicas e hormonais no corpo feminino e prevenção com fortalecimento, REDs, nutrição esportiva e risco de fraturas por estresse, Recuperação, retorno ao esporte e treino cruzado (natação/bike), Check-up esportivo e riscos em provas (hipertermia, hiponatremia e eventos cardíacos), Disciplina, sono, estresse e comunicação com treinador como parte do treino
Citações
- “Hoje, depois da primeira vez que eu chorei num treino que eu não conseguia, eu falo assim: "Ai, eu te entendo, eu choro com você, vamos dar uma".” — Dra. Ana Paula Simões
- “Quando você altera sua mecânica ou quando você muda a forma de você correr por causa daquela dor.” — Dra. Ana Paula Simões
- “O desespero de voltar o mais rápido possível.” — Dra. Ana Paula Simões
- “Gente, parecia que tinha morrido alguém aquele dia.” — Mariana Real